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Durante boa parte da minha carreira, eu achava que governanca era burocracia. Eu estava errado.

Governance2 min readPortuguese

Durante boa parte da minha carreira, eu achava que governanca era burocracia. Um mal necessario. Algo que voce implementa quando a cultura nao da conta de resolver.

Eu estava errado.

Charlie Munger dizia: "Mostre-me os incentivos e eu te mostrarei os resultados." A frase e simples. A implicacao e brutal.

Se uma empresa tem metas de receita agressivas sem contrapesos de risco, ela vai crescer rapido — ate explodir. Se o bonus do CEO depende do preco da acao no curto prazo, ele vai otimizar para o trimestre, nao para a decada. Discurso nao muda comportamento. Incentivo muda.

Na aula de Fundamentos da Governanca com Udo Kurt Gierlich na Board Academy Br, essa ficha caiu de vez.

Governanca nao e um conjunto de regras que voce pendura na parede. E o sistema que define quem decide o que, com base em quais informacoes, com quais contrapesos, e respondendo a quem.

O Codigo do IBGC define 5 principios: integridade, transparencia, equidade, responsabilizacao e sustentabilidade. Bonito no papel. Mas o que transforma principio em pratica?

Incentivos corretos.

O conselho e quem desenha esses incentivos. E o guardiao do proposito e dos valores da organizacao, mas nao no sentido decorativo de missao/visao/valores na recepcao do escritorio. No sentido de definir a estrutura que faz com que as decisoes certas acontecam mesmo quando ninguem esta olhando.

Uma empresa sem governanca e como um jogo sem regras claras. Todo mundo joga pelo proprio interesse, porque nao existe sistema que alinhe os interesses individuais com o coletivo.

E o dilema do prisioneiro na pratica. Voce pode ate querer agir de boa fe, mas se nao tem certeza de que o outro vai fazer o mesmo, a decisao racional e se proteger.

E quando todo mundo se protege, todo mundo perde.

Governanca quebra esse ciclo. Cria as regras do jogo, os mecanismos de confianca, os contrapesos que permitem que cooperacao seja a estrategia dominante.

O conselho entra como arquiteto desse sistema. — Define como conflitos de interesse sao tratados antes que virem crise — Garante que informacoes fluam com transparencia, nao so as boas — Cria accountability real — nao aquela que so aparece no relatorio anual — Equilibra o poder entre gestao, socios e partes interessadas

Outro insight que me marcou: existe uma evolucao na maturidade dos conselhos, mapeada pela Korn Ferry. Vai do conselho elementar, focado em compliance basico, orientado a processo — ate o conselho estrategico, que antecipa o futuro e vive os valores.

A diferenca entre os dois? Nao e tamanho, nem idade, nem setor.

E postura, agenda, mindset e coragem.

Eu venho de fintech. Um ambiente onde velocidade e tudo e governanca as vezes parece um freio.

Mas aprendi que o contrario e mais verdadeiro: governanca bem feita e o que permite velocidade sustentavel.

O freio nao e o oposto da velocidade. E o que permite que voce faca a curva durante a corrida.

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